Trânsito seguro: Uma questão de atitude!

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Primeiros Socorros



Prestação de Primeiros Socorros

1. DEFINIÇÃO – Primeiros Socorros são as providências iniciais que devem ser adotadas em acidentes com vítima, a fim de minimizar seu sofrimento e evitar o agravamento das lesões, até a chegada do resgate.

2. SOCORRISTA – Não precisa ser da área de saúde. Deve ser calmo, solidário, ter o controle da situação, não agir com impulsividade. Não ser omisso, porém limitar-se a fazer o que realmente sabe e não expor a própria integridade a riscos.

3. PRIMEIRAS AÇÕES – Não perca tempo, pois os primeiros cinco minutos são decisivos e podem determinar entre a vida e a morte das vítimas. Adote imediatamente as seguintes providências:
a. Estacione o seu veículo em local seguro (fora da pista ou após o acidente);
b. Sinalize o local conforme regulamentado pelo CONTRAN. A sinalização deve ser colocada numa distância proporcional à velocidade máxima para a via. Ex.: 40 k/h – 40 m (40 passos largos). Utilize o triângulo de segurança do veículo, arbustos/galhos, caixa de papelão, latas e outros materiais que não ofereçam risco de acidentes.
c. Avise o socorro especializado e as Autoridades pelos telefones:
190 - Polícia Militar (PM) quando em vias urbanas e rodovias estaduais;
191 - Polícia Rodoviária Federal (PRF) quando em rodovias federais;
192 - Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) quando em cidades com este serviço;
193 - Corpo de Bombeiros (COBOM) quando em cidades com este serviço.
Obs.: Em caso de produtos perigosos isole o local e mantenha distância.

4. INFORMAÇÕES ÚTEIS - Ao ligar para o resgate tenha em mente as seguintes informações:
a. Localização exata do acidente (nome da rua, número e ponto de referência);
b. Tipo do acidente (carro, motocicleta, colisão, atropelamento);
c. Quantos veículos envolvidos;
d. Se há vazamento de combustíveis ou produtos perigosos;
e. Número aproximado de vítimas, lesões aparentes e se há pessoas presas às ferragens.

5. PRIORIDADE DE SOCORRO – não deve ser estabelecida considerando a idade ou sexo da vítima. Dentre as vítimas com traumas graves faça uma relação entre o risco de morte e a possibilidade de atendimento pelo socorrista. Realize a análise primária das vítimas e estabeleça a prioridade de socorro conforme relação a seguir:

1º. Vítimas inconscientes (avalie o estado de consciência da vítima);
2º. Vítimas com parada respiratória (avalie se a vítima respira);
3º. Vítimas com parada cardíaca (verifique a pulsação da vítima – melhor artéria é a carótida no pescoço)
4º. Vítima com hemorragia (identifique sangramentos abundantes).
6. SINAIS VITAIS – São parâmetros que servem para avaliar o quadro clínico da vítima. Os mais comuns são:
a. Respiração – o normal para um adulto está entre 16 e 20 movimentos respiratórios por minuto (MRPM);
b. Pulsação – o normal para um adulto está entre 60 e 80 batimentos por minuto (BPM);
c. Pressão arterial – o normal para um adulto é 120x80 (MMHG). Difícil de ser constatado pelo socorrista.
d. Temperatura Corporal – considerada normal, para qualquer idade, índices entre 36° e 37°. Não sofre variação com a idade.

7. PARADA RESPIRATÓRIA – em acidentes de trânsito, normalmente ocorre por dois motivos:
a. Contração muscular – ocorre em razão da pancada sofrida no diafragma. Afrouxe a roupa da vítima no pescoço, peito e cintura. Mantenha a circulação de ar corrente. Alongue os membros superiores e inferiores da vítima para descontrair a musculatura (caso não haja fraturas).
b. Obstrução das vias aéreas (boca, nariz e garganta) – pode ocorrer por materiais como próteses dentárias, secreções,sangue coagulado ou alguma coisa que a vítima pudesse estar comendo. Promova a imediata desobstrução e, caso a vítima não restabeleça a respiração natural, dê início à manobra de reanimação artificial (boca a boca).
Obs.: Técnica “boca a boca” em adultos ou “boca a boca-nariz” em bebês:
a. Incline a cabeça da vítima para que a língua descole da glote e aumente a passagem de ar;
b. Pressione as narinas da vítima, utilizando os dedos indicador e polegar;
c. Coloque a boca sobre a da vítima e sopre o ar para dentro dela até perceber que o seu tórax ou abdome se eleva.
d. Retire sua boca de sobre a da vítima e deixe-a expirar o ar livremente.
e. Repita esta manobra cerca de 12 a 15 vezes por minuto e persista com a manobra até a chegada do socorro.

8. PUPILA – conhecida como “meninas dos olhos” é um ponto escuro no centro do olho. Quando expostas à luz ficam contraídas (miose) e ao escuro ficam dilatadas (midríase). Numa parada cardíaca as pupilas ficam dilatadas.

9. PARADA CARDÍACA – é a ausência de batimentos cardíacos (pulsação). Proceda da seguinte forma:
a. Coloque a vítima em decúbito dorsal (de costas para o chão) e localize o osso chamado “Esterno” (no centro do peito);
b. Utilize a base das mãos (mãos sobrepostas) para comprimir sobre a metade inferior do osso;
c. A compressão deve ser rápida e forte. A força depende da estrutura física da vítima (em bebês utilize apenas dois dedos);
d. Execute esta manobra cerca de 60 vezes por minuto. Persista com a manobra até a chegada do resgate.

10. MONBRAS DE RESSUCITAÇÃO CÁRDIO-RESPIRATÓRIA (RCP) – em caso de parada cardíaca e respiratória simultaneamente, dê início às manobras de ressuscitação, observando os seguintes procedimentos:
a. Apenas um socorrista – mantenha um ritmo de 30 compressões para duas insuflações (30 por 2).
b. Sendo dois socorristas – o ritmo deve ser de 5 compressões para cada insuflação (5 por 1).
c. Em crianças e bebês o ritmo será sempre de 5 compressões para cada insuflação (5 por 1).

11. HEMORRAGIA – é a perda de sangue devido ao rompimento de uma artéria, veia ou vaso sanguíneo. Quando proveniente de uma artéria chama-se “hemorragia arterial” (mais perigosa e difícil de ser controlada). Se proveniente de uma veia chama-se “hemorragia venosa”. As hemorragias podem ser internas ou externas.
a. Nas hemorragias internas - A vítima apresenta sintomas como palidez, ânsia de sede, queda de pressão arterial e baixa temperatura corporal. O socorrista deve limitar-se a lateralizar a cabeça da vítima de maneira a evitar uma possível asfixia em razão da formação de coágulo sanguíneo nas vias aéreas. É obrigatório o atendimento médico.
Obs.: nas hemorragias nasais coloque a vítima com a cabeça abaixada para frente e faça compressão com os dedos, polegar e indicador, por cerca de 10 minutos. Também é adequado fazer compressa encharcada em água gelada e aplicação de bolsa de gelo sobre as narinas. Neste caso, nem sempre será necessário o atendimento médico.
b. Nas hemorragias externas deve-se fazer compressão sobre o ferimento utilizando uma compressa limpa (pano, gaze, camisa, toalha e outros). Não utilizar técnicas domésticas como: colocar açúcar, sal, pó de café, cinza e outras. As técnicas de “garroteamento” e “torniquete” só podem ser utilizadas por profissionais.

12. FEBRE ou HIPOTERMIA – se a vítima apresenta temperatura corporal acima de 37° dizemos que ela está com “febre”. Se a temperatura tiver abaixo de 36° considera-se “hipotermia”.
a. Em caso de febre – desagasalhe a vítima; se possível dê banho de imersão na temperatura corporal; faça compressas frias na testa, axilas e pescoço. Em nenhuma hipótese ofereça medicamentos antitérmicos.
b. Em caso de hipotermia – agasalhe a vítima; mantenha-la aquecida.

13. LESÕES NA COLUNA – para diagnosticar possíveis lesões nesta região provoque estímulos físicos na vítima, para testar sua capacidade de mobilidade e sensibilidade. Caso suspeite de lesão, a primeira providência é imobilizar a região do pescoço utilizando, para isso, um colar cervical (mesmo que seja improvisado). Se necessário transportá-la, faça isso utilizando uma maca, porta, tábua ou qualquer outro material que permita a imobilização total da vítima. Todo cuidado pode ser pouco nesta situação, pois uma lesão
na coluna pode provocar traumas irreversíveis, deixando a vítima permanentemente paraplégica.

14. FRATURAS, ENTORSES ou LUXAÇÕES – são as lesões mais comuns em acidentes de trânsito. Qualquer delas deve ser tratada com a imobilização da região afetada. Faça compressas geladas no local para amenizar a dor e o inchaço. Em caso de fraturas expostas (quando o osso rompe a pele e fica exposto) faça um curativo sobre o ferimento e proceda como nas fraturas fechadas.
Obs.: Não é adequada qualquer tentativa de recolocar o osso ou membro fraturado na posição natural.

15. APLICAÇÃO DE BANDAGEM – bandagem é o mesmo que ataduras. Podem ser utilizadas para fixar um curativo; numa imobilização de fratura ou conter provisoriamente uma parte do corpo. Na falta de ataduras podem ser utilizadas tiras limpas de um lençol ou outro tecido qualquer. Ao aplicar a bandagem devem ser observados os seguintes procedimentos:
a. A região deve estar limpa e os músculos relaxados;
b. Começar a enfaixar da extremidade para o centro (de baixo para cima);
c. Enfaixar da esquerda para a direita.

16. AMPUTAÇÃO DE MEMBRO – caso a vítima sofra amputação em qualquer de seus membros, o procedimento correto é pegar a parte amputada, colocá-la dentro de um saco plástico, e rapidamente acomodá-la num recipiente com gelo. Não é adequado que o membro amputado tenha contato direto com o gelo, sob o risco de queimar os ligamentos e impossibilitar à re-implantação.

17. QUEIMADURAS – podem ser de 1º, 2º ou 3º graus. Se a vítima estiver em chamas, use o método de abafamento para conter o fogo. Retire toda a roupa onde foi atingida pelo fogo sem puxar as partes aderidas ao ferimento. Retire também anéis, braceletes, pulseiras e outros materiais que possam apertar em caso de edema (inchaço). Cubra a queimadura com algo não aderente (plástico) e mantenha sob a água para amenizar a dor. Nunca aplique qualquer medicamento.

18. CONVULSÕES – são contrações musculares, involuntárias e descontroladas, em todo o corpo. A vítima perde a consciência e cai. Apresenta sintomas como: lábios azulados ou arroxeados (cianose); respiração curta, rápida e irregular; salivação em excesso. Neste
caso proceda da seguinte forma:
a. Afaste objetos que possam machucar a vítima;
b. Coloque-a com a cabeça lateralmente e a proteja para evitar traumas em razão da movimentação excessiva;
c. Não tente conter os movimentos da vítima;
d. Não dê nada para a vítima ingerir;
e. Se em cinco minutos não apresentar melhora procure auxílio médico.

19. ESTADO DE CHOQUE – é o estado de depressão do organismo em razão de falhas circulatórias. A vítima apresenta sintomas como: pele fria e pegajosa; suor abundante na testa e palma das mãos; pulsação acelerada; lábios e unhas ficam arroxeados; expressão de ansiedade; frio e tremores; palidez excessiva. Para controlar o estado de choque faça o seguinte:
a. Procure identificar a causa que levou ao estado de choque e controle-a (hemorragia, lesões graves, abalo emocional...);
b. Afrouxe as suas roupas e mantenha a vítima ventilada;
c. Coloque-a deitada preferencialmente com os pés elevados cerca de 30 cm e a cabeça mais baixa que o corpo;
d. Monitore os sinais vitais (pulso e respiração).

20. OBJETOS ENCRAVADOS NO CORPO – caso haja objetos transfixados ao corpo, não remova. Apenas faça um curativo sobre o ferimento e encaminhe para o socorro especializado. Se o objeto estiver nos olhos, mesmo que seja em apenas um deles, cubra os dois olhos da vítima, se possível, com gaze esterilizada.

21. CONTATO COM FIOS ELÉTRICOS – em caso de colisões que resultem em contato com fios elétricos, isole o local e não retire as pessoas de dentro do veículo. Não tente remover o cabo de eletricidade, deixe isso para pessoal especializado.

22. MOTOCICLISTAS – mantenha a vítima em repouso. Abra a viseira e a jugular do capacete (presilha). Não o remova o capacete.

23. TRANSPORTE DE ACIDENTADO - esqueça a idéia de colocar a vítima no primeiro carro que passar e conduzi-la correndo para o hospital mais próximo. Lembre-se que uma vítima só deve ser removida do local do acidente se houver risco real de desabamento, incêndio, explosão, afogamento ou outra situação de perigo iminente. Caso seja inevitável, transporte-a preferencialmente numa maca (mesmo que seja improvisada). Utilize da ajuda de várias pessoas para fazer o manuseio dela, todas trabalhando em sincronia, procurando minimizar ao máximo seus movimentos.

REGRAS “SAGRADAS”
Em caso de reanimação respiratória (boca a boca) não puxe o ar, apenas sopre;
Jamais oferecer ou aplicar qualquer medicamento à vítima;
Não dar líquido para a vítima beber (mesmo que ela peça);
Evite contato direto com secreções da vítima, sob o risco de contaminação;
Nas hemorragias não utilize as técnicas de garroteamento ou torniquete;
Não mexa num membro fraturado, limite-se a imobilizá-lo;
Evite remover a vítima. Se for inevitável, movimente o mínimo possível com ela;
Não retirar ou movimentar os veículos envolvidos sob a hipótese de prejudicar o trabalho da perícia.

Elaborado por: Ronaldo Cardoso
www.autoescolaonline.net



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