Código de Trânsito Brasileiro
completa 21 anos com novidades para pedestres e ciclistas
Em janeiro de 1998 campanhas
alertavam sobre o início da vigência do Código de Trânsito Brasileiro (CTB).
Algo desconhecido para os brasileiros,
já que regras e critérios para transitar em ruas e vias eram rudimentares
até então, mas que prometia ser uma das legislações mais modernas e avançadas
do mundo direcionada à educação viária, normas de conduta, infrações e
penalidades. A então nova legislação – que completou 21 anos no dia 22 de
janeiro de 2019 – nasceu com 341 artigos, e o objetivo de reduzir o número de
mortos e feridos no trânsito e, ainda, com a ambição de transformá-lo em um
lugar melhor para todos.
Segundo Julyver Modesto de
Araujo, mestre em Direito do Estado e comentarista do CTB Digital, o Código
sofreu várias mudanças desde 1998 – ao menos uma por ano – e, como toda
legislação, no CTB há acertos e pontos de melhorias.
“Em relação ao código de trânsito
anterior, de 1966, o atual trouxe, entre outras mudanças, o município para
dentro do Sistema Nacional de Trânsito (SNT), ampliou o número de infrações,
incluiu um capítulo específico sobre crimes de trânsito, pretendeu determinar a
educação para o trânsito em todos os níveis de ensino e a inspeção de segurança
veicular obrigatória anualmente. Infelizmente nem tudo está funcionando
perfeitamente passados todos estes anos.”
Além disso, desde a sua criação o
CTB passou por diversas atualizações para acompanhar as mudanças de
comportamento da sociedade e a evolução tecnológica. Em 21 anos, foram 34 Leis
– e mais um projeto recém-aprovado, aguardando sanção presidencial – além de
770 resoluções. “As modificações nem sempre são necessárias, mas sempre
procuram tornar mais seguras as relações sociais na utilização da via pública”,
explica Araujo.
A convite da Perkons, o
especialista faz um balanço desses 21 anos de CTB. Confira:
Aproximação com a sociedade
Um dos principais destaques no
período é a “municipalização do trânsito”. O Código de Trânsito aproximou o
poder público do cidadão ao dar autonomia e o controle da gestão do trânsito
para o Poder Executivo local. Isso permitiu transferir para os órgãos
municipais competências fundamentais para a melhoria do trânsito, como
fiscalizar, implantar o sistema de sinalização, coletar dados estatísticos e
elaborar estudos sobre os acidentes.
Mas há muito a ser feito. Apenas
25% dos municípios estão integrados ao SNT; isso representa apenas 1,5 mil das
mais de 5,5 mil cidades do país. A consequência disso é a dificuldade para
fiscalizar e educar o cidadão.
Lei Seca
A Lei Seca trouxe maior rigor na
penalização para quem associa álcool e direção. Criada em 2008, a lei exigiu
mudança nos hábitos e comportamentos dos brasileiros. Atualmente, quem é
flagrado dirigindo sob o efeito de qualquer quantidade de bebida alcoólica
comete uma infração gravíssima e está sujeito à multa de R$ 2.934,70, além da
suspensão do direito de dirigir por doze meses. Para quem reincidir na infração
no intervalo de um ano, o valor da multa é dobrado. Desde 2016 quem recusa o
bafômetro tem a mesma penalidade. No ano passado mais uma mudança: o motorista
embriagado que causar acidente pode ser punido com até oito anos de detenção,
nos casos com vítimas fatais, e com até cinco anos, se houver ferido grave.
Segunda década de avanços
A virada para a segunda década do
CTB trouxe consigo mudanças importantes para a segurança dos passageiros. A
obrigatoriedade do uso da cadeirinha, a partir de 2010, e a exigência de airbag
duplo e freios ABS nos veículos fabricados a partir de 2014, são alguns
exemplos.
Outra alteração importante está
relacionada ao avanço da tecnologia. Dirigir com apenas uma mão para manusear o
celular ao volante passou a ser infração gravíssima. O smartphone só pode ser
utilizado quando o veículo estiver estacionado. Caso esteja apenas parado – em
um semáforo ou congestionamento, por exemplo – o equipamento deve ser utilizado
apenas como GPS e permanecer fixado em suporte adequado no para-brisa dianteiro
ou no painel.
Conscientização e democratização
do trânsito
Desde a constituição do CTB as
discussões sobre trânsito e sobre a relação homem e automóvel ganharam mais
espaço na sociedade. Hoje as pessoas conversam sobre os problemas desta
convivência de maneira mais consciente, debatem e buscam soluções para reduzir
o número de mortos e feridos mais ativamente. Porém, a criação de órgãos
específicos – como órgãos municipais, para coordenar o trânsito e educar os
usuários – é necessária para uma mudança de comportamento mais efetiva.
Legislação, fiscalização e educação precisam caminhar juntas para um trânsito
seguro.
O que esperar para o futuro
Para esse ano estão previstas
mudanças no Código relacionadas a ciclistas e pedestres infratores, que
entrarão em vigor a partir de março. Entre as situações que já são consideradas
infrações pelo CTB e que passarão a ser multadas estão atravessar a rua fora da
faixa e pedalar em local proibido. Também teve início, no final de 2018, a
vigência do Plano Nacional de Redução de Mortes e Lesões no Trânsito
(Pnatrans), que deve multiplicar as ações de conscientização para a redução de
acidentes e mortes no trânsito. Outras medidas, como a que aborda inspeção
veicular, podem sair do papel.
Mas, o mais importante talvez
seja o ponto relacionado à educação.
Por exemplo, se educação para o
trânsito fosse colocada em prática em todos os níveis de ensino – algo previsto
desde o início da vigência do CTB, lá em 1998 – já teríamos uma nova geração de
condutores, passageiros e pedestres nas ruas do país, muito mais consciente,
participativa e responsável.
Código de Trânsito Brasileiro
completa 21 anos com novidades para pedestres e ciclistas
Em janeiro de 1998 campanhas
alertavam sobre o início da vigência do Código de Trânsito Brasileiro (CTB).
Algo desconhecido para os brasileiros,
já que regras e critérios para transitar em ruas e vias eram rudimentares
até então, mas que prometia ser uma das legislações mais modernas e avançadas
do mundo direcionada à educação viária, normas de conduta, infrações e
penalidades. A então nova legislação – que completou 21 anos no dia 22 de
janeiro de 2019 – nasceu com 341 artigos, e o objetivo de reduzir o número de
mortos e feridos no trânsito e, ainda, com a ambição de transformá-lo em um
lugar melhor para todos.
Segundo Julyver Modesto de
Araujo, mestre em Direito do Estado e comentarista do CTB Digital, o Código
sofreu várias mudanças desde 1998 – ao menos uma por ano – e, como toda
legislação, no CTB há acertos e pontos de melhorias.
“Em relação ao código de trânsito
anterior, de 1966, o atual trouxe, entre outras mudanças, o município para
dentro do Sistema Nacional de Trânsito (SNT), ampliou o número de infrações,
incluiu um capítulo específico sobre crimes de trânsito, pretendeu determinar a
educação para o trânsito em todos os níveis de ensino e a inspeção de segurança
veicular obrigatória anualmente. Infelizmente nem tudo está funcionando
perfeitamente passados todos estes anos.”
Além disso, desde a sua criação o
CTB passou por diversas atualizações para acompanhar as mudanças de
comportamento da sociedade e a evolução tecnológica. Em 21 anos, foram 34 Leis
– e mais um projeto recém-aprovado, aguardando sanção presidencial – além de
770 resoluções. “As modificações nem sempre são necessárias, mas sempre
procuram tornar mais seguras as relações sociais na utilização da via pública”,
explica Araujo.
A convite da Perkons, o
especialista faz um balanço desses 21 anos de CTB. Confira:
Aproximação com a sociedade
Um dos principais destaques no
período é a “municipalização do trânsito”. O Código de Trânsito aproximou o
poder público do cidadão ao dar autonomia e o controle da gestão do trânsito
para o Poder Executivo local. Isso permitiu transferir para os órgãos
municipais competências fundamentais para a melhoria do trânsito, como
fiscalizar, implantar o sistema de sinalização, coletar dados estatísticos e
elaborar estudos sobre os acidentes.
Mas há muito a ser feito. Apenas
25% dos municípios estão integrados ao SNT; isso representa apenas 1,5 mil das
mais de 5,5 mil cidades do país. A consequência disso é a dificuldade para
fiscalizar e educar o cidadão.
Lei Seca
A Lei Seca trouxe maior rigor na
penalização para quem associa álcool e direção. Criada em 2008, a lei exigiu
mudança nos hábitos e comportamentos dos brasileiros. Atualmente, quem é
flagrado dirigindo sob o efeito de qualquer quantidade de bebida alcoólica
comete uma infração gravíssima e está sujeito à multa de R$ 2.934,70, além da
suspensão do direito de dirigir por doze meses. Para quem reincidir na infração
no intervalo de um ano, o valor da multa é dobrado. Desde 2016 quem recusa o
bafômetro tem a mesma penalidade. No ano passado mais uma mudança: o motorista
embriagado que causar acidente pode ser punido com até oito anos de detenção,
nos casos com vítimas fatais, e com até cinco anos, se houver ferido grave.
Segunda década de avanços
A virada para a segunda década do
CTB trouxe consigo mudanças importantes para a segurança dos passageiros. A
obrigatoriedade do uso da cadeirinha, a partir de 2010, e a exigência de airbag
duplo e freios ABS nos veículos fabricados a partir de 2014, são alguns
exemplos.
Outra alteração importante está
relacionada ao avanço da tecnologia. Dirigir com apenas uma mão para manusear o
celular ao volante passou a ser infração gravíssima. O smartphone só pode ser
utilizado quando o veículo estiver estacionado. Caso esteja apenas parado – em
um semáforo ou congestionamento, por exemplo – o equipamento deve ser utilizado
apenas como GPS e permanecer fixado em suporte adequado no para-brisa dianteiro
ou no painel.
Conscientização e democratização
do trânsito
Desde a constituição do CTB as
discussões sobre trânsito e sobre a relação homem e automóvel ganharam mais
espaço na sociedade. Hoje as pessoas conversam sobre os problemas desta
convivência de maneira mais consciente, debatem e buscam soluções para reduzir
o número de mortos e feridos mais ativamente. Porém, a criação de órgãos
específicos – como órgãos municipais, para coordenar o trânsito e educar os
usuários – é necessária para uma mudança de comportamento mais efetiva.
Legislação, fiscalização e educação precisam caminhar juntas para um trânsito
seguro.
O que esperar para o futuro
Para esse ano estão previstas
mudanças no Código relacionadas a ciclistas e pedestres infratores, que
entrarão em vigor a partir de março. Entre as situações que já são consideradas
infrações pelo CTB e que passarão a ser multadas estão atravessar a rua fora da
faixa e pedalar em local proibido. Também teve início, no final de 2018, a
vigência do Plano Nacional de Redução de Mortes e Lesões no Trânsito
(Pnatrans), que deve multiplicar as ações de conscientização para a redução de
acidentes e mortes no trânsito. Outras medidas, como a que aborda inspeção
veicular, podem sair do papel.
Mas, o mais importante talvez
seja o ponto relacionado à educação.
Por exemplo, se educação para o
trânsito fosse colocada em prática em todos os níveis de ensino – algo previsto
desde o início da vigência do CTB, lá em 1998 – já teríamos uma nova geração de
condutores, passageiros e pedestres nas ruas do país, muito mais consciente,
participativa e responsável.
BOM DIA
ResponderExcluirMEU NOME É CELSO MARCOS
MUITO BOM ESSE SAITE DE VC CARLINHO ESTRUTOR
Gostaria de receber de vc informação sobre primeiro socorros
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